quarta-feira, 27 de julho de 2011

Obras de Iko Vedovelli ao som de Corações Partidos Blues


Minha estréia como compositor, "Corações Partidos" é um grito
suburbano conurbado e solitário por excelência. A tradução e
interpretação do Elvis Martinato é de alma. A gravação do 'Elvis Trio'
ficou soberba. Já a obra do Iko não prescinde de apresentação. Por
falha minha, estão inclusos no vídeo desenhos de J.Ricardo (o olho
ciclópico que abençoa o show de rock) amostra de artistas jovens de
uma excepcional safra, cujo pico ainda está por surgir.

"Cortina de Burrice"


"A Revolução Russa popôs-se a criar o "paraíso socialista" (...) Na teoria, todos tinham direito a habitação, emprego, comida, escola e ópera. Mas a dieta era parca e o povão queria consumir mais. Daí a necessidade do que Churchill chamou de Cortina de Ferro, para não deixar que os russos bisbilhotassem o que consumia o mundo capitalista decadente. (...) Foi uma besteira, pois não houve maneiras de impedir um povo educado de ver o que acontecia do lado de fora. (...) Os governantes brasileiros fizeram muito melhor. Abriram tudo, viaja-se à vontade. Mas não cometeram os erros dos russos. A garantia de isolamento do país está em uma educação de péssima qualidade e a conta gotas. Assim nasceu um cortina de burrice, muito mais eficaz, pois somos um país isolado do resto do mundo."
(Claudio de Moura Castro - em "Cortina de Burrice - ensaio para 'Veja' de 17-11-10).


Comentário:
Quem, entre os professores do ensino fundamental e médio, seja público ou privado, ousaria levar tal texto para análise de seus alunos mesmo que de forma extra curricular? O governo brasileiro deu o pontapé inicial através do aparelhamento político da Universidades Federais, os governos estaduais que já encampavam politicamente as escolas, agora dividem a 'tutela ideológica' de alguns mestres com os municípios, onde os partidos vislumbram na figura de professores populares e diretores-seguidamente reeleitos para o exercício da função, potenciais futuros vereadores ou prefeitos. Não há mais um compromisso com a verdade e com o desenvolvimento do espírito crítico. A escola voltou a ser a exatidão do que fora na época da 'ditadura militar'. Pior, agora, o quadro é ainda mais grave. Não estamos assistindo o sucateamento da educação e do futuro do intelecto nacional por imposição de força bruta, mas por vontade própria, participação lasciva ou resignação cotidiana. Nos querem medianos e preguiçosos, e nós, o que realmente queremos? Como estão nossos filhos? São leitores? Monteiro Lobato ou 'Crepúsculo'? Focault ou 'Paulo Coelho'? Ah! ...sei. Quem escreve estas linhas é preconceituoso então? Ah! ...sei. "O mais importante é que leiam, aprendam a gostar de ler, não importa o que... e blá blá blá..." Percebeu? Este argumento inicialmente, era deles. Você esqueceu que, não havia um jovem nazista alistado no partido recém fundado por um jovem chamado Hitler, que não fosse alfabetizado, o mesmo acontece com o terrorismo do 'Islã', ultra direita na Europa e eventos isolados envolvendo psicóticos solitários nas Américas, todos deixam seus manifestos ou cartas, indícios do que leram e onde buscaram inspiração. Isolados nestas nefastas leituras, (note, o malévolo não está nas obras, mas na leitura paranoica, solitária e silenciosa) num momento de desequilíbrio interno ou luta com a realidade externa, uma simples metáfora ideológica ou profética ganha peso de sentença terminal. Mas eles têm saído da escola cientes do que realmente significa metáfora, comparação, descrição, ilusão ou realidade? Duvido.
(Daniel Estefani - DaniCircoSolar )


Fim?
Ainda não!!!

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Sobre o cárcere institucional:



"O educador é um ausente. Nosso espaço funcional gerenciado, torna possível falar sobre funcionários definidos pela instituição. Mas ele não permite que se fale sobre coisa alguma que se move num espaço definido pela liberdade. O educador tem, assim, o estatuto de um conceito utópico, de existência prática proibida e, por isto mesmo, existência teórica impossível. E é por isto que as ciências, silenciaram sobre ele. (...) O fato é que o controle, já há muito tempo, passou das mãos de pessoas para a lógica das instituições. Assim, o discurso da escola ficou, progressivamente, como algo solto no ar, que não se liga, pelo desejo, nem aos que fazem de conta que ensinam, nem aos que fazem de conta que aprendem."
(Rubem Alves -  em "Conversas Com Quem Gosta de ensinar").


EnD.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

A Natureza do Mito da Caverna Platônica na Infância:



"Se era inteligente, não sabia.
Ser ou não inteligente dependia 
da instabilidade dos outros."
(Clarice Lispector - em 'Miopia 
Progressiva').


"O nascimento representa a entrada num mundo que oferece uma riqueza aparentemente infinita de experiências. (...) O mundo da criança é habitado por outras pessoas. Ela logo aprende a distinguir estas pessoas, e algumas delas assumem uma importância toda especial. Desde o início a criança desenvolve uma interação não apenas com o próprio corpo e o ambiente, mas também com os outros seres humanos. A biografia do indivíduo desde o nascimento é a história de suas relações com outras pessoas."
(Peter L. & Brigitte Berger - em 'O Que é uma Instituição Social?')












nem de convencer alguém.
Se não transformarmos nossos conceitos e ações:
o que dirá o futuro quando contar nossa
história?

End